Por Eliana Gola A “Idade do Ouro” refere-se à fase em que se começou a descobrir ouro na natureza, no atraente estado de “pronto para usar”, ainda na Pré-história. Mais tarde serviu para criar a denominação “Idade do Ouro” em várias civilizações. A suavidade desse metal, sua cor, seu brilho, que o associam ao Sol, o fato de não oxidar-se, de fundir-se a si mesmo, dão à sua funcionalidade um alto valor ornamental. O fato de ser considerado uma dádiva dos deuses tornou o ouro um excelente presente para retribuir a esses mesmos deuses. Na história da humanidade, pelas várias funções que assume em diferentes épocas e culturas distintas, a jóia sempre esteve presente. É moeda universal que não perde seu valor material, é documento que resiste ao tempo, é patrimônio impregnado de sentimentos e história. | | |
| | Em tempos modernos, conhecem-se histórias de povos que, devido a guerras e perseguições, foram obrigados a deixar seus países e a abandonar seu patrimônio, mas, conseguindo manter consigo suas jóias, recomeçaram suas vidas graças a essas moedas universais. Ou ainda, povos sobre os quais não se conhece nem escrita nem moeda, e cujas jóias serviram de documento histórico que trouxeram até nós vestígios de sua cultura e de seus costumes. Para enriquecer o conhecimento e compreender melhor o papel da jóia tanto como adorno ou como outra função, vamos tentar definir a jóia como adorno. Ser adorno – geralmente usado no corpo – é uma das primeiras características da jóia, ao servir-se de materiais preciosos, metais e pedras. E essa característica faz com que ela possa ser um artefato portador de significativo valor estético, ou seja, de valores considerados embelezadores na época em que foi realizada. |
Como portadora de valores, jóia tanto pode representar o insigne, o poder, o conhecimento esotérico, quanto ser sinal de riqueza material. A ela podem ser também, atribuídos valores mágicos, espirituais e até transcendentes, segundo diferentes interpretações de vários povos e culturas. Assim, em sua materialidade de adorno, a jóia sempre está acompanhada de significados que a tornam um objeto simbólico. | | |
| | O simbolismo religioso, por exemplo, em diferentes tradições, ao referir-se à jóia, representa as verdades espirituais. Talismã: Do grego telesma, que quer dizer mistério, era considerado capaz de atrair a sorte. Amuleto: Servia como escudo contra o mau-olhado. O termo deriva do latim amuletum, sinônimo coloquial de ciclâmen - uma planta que se dizia proteger do veneno. Como amuleto, a jóia costuma ser objeto de pequenas dimensões, carregada junto ao corpo, servindo aos homens como proteção do mundo mágico. Proteção contra doenças, mau-olhado e desgraças. E, como talismã, visando à ventura, à fortuna e à felicidade. Nessa condição de amuleto ou talismã, atribui-se à jóia a possibilidade de absorver a forma e até mesmo a qualidade específica daquilo contra o que ela protege. Seu significado é o de ser expressão simbólica da possibilidade da intervenção de poderes sobrenaturais e singulares na vida humana. |
Entre os amuletos, há configurações predominantes: Chifres, trevo de quatro folhas, pimentas, figas, olho grego, letras mágicas, santinhos, e mesmo pedras preciosas a que se atribuem certos poderes. | | |
 | | Originalmente o uso de adorno esteve ligado a essa função de amuleto ou talismã, comum desde a Pré-história e que se tem testemunhos arqueológicos espalhados por toda parte. No Egito, onde os mortos eram enterrados com replicas de todos os seus pertences, para assegurar-lhes vida perene além-túmulo, e as múmias usavam colares com amuletos contra a “morte”, para defendê-las nessa vida eterna. No lugar do coração da múmia era colocado um escaravelho, que tinha como dever proteger o defunto contra os perigos que o esperavam no outro mundo. Também era gravado um capítulo do livro dos mortos na parte externa do escaravelho. Com estes exemplos, podemos dizer que durante toda a história da humanidade, | independentemente de diferenças étnicas, geográficas, topográficas ou quaisquer outras, o homem tem produzido objetos para enfeitar, agradar e seduzir. Entre eles, as jóias, objetos perfeitos para tais finalidades. Universalmente e em todos os tempos, a jóia, como adorno, tem um vinculo perene com os desejos do homem e com sua capacidade, ou mesmo intenção, de construir novas linguagens e, com elas, significados eficientes na elaboração de identidades; e, assim, da idéia de ser único, apesar de todas as igualdades, e da possibilidade de ser vários, ao experimentar todas as possíveis diferenças. | |