Sexta-feira, 18 de Maio de 2012

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Histórias da Joia | Os Citas

Por Eliana Gola

A Citia é o que chamamos de Grande Estepe, planície de extensas pradarias naturais que se estende dos confins da China até as margens do Danúbio e, atualmente, faz parte da Rússia.
 

Do povo cita, sabe-se que eram nômades e excelentes cavaleiros e arqueiros, considerados pelos gregos o povo mais antigo do mundo (mas essa não é uma opinião unânime). Indícios descobertos recentemente permitem identificá-los como um dos primeiros povos indo-europeus e como os maiores ourives do mundo antigo.
As estepes russas, até hoje, conservam seus monumentos funerários chamados Kurgans, túmulos repletos de tesouros que, durante a metade do séc.XX, constituíram a principal fonte da arqueologia soviética.
Não desenvolveram a escrita ou cunharam moedas para servir como fonte de informação, mas, os objetos de ourivesaria recuperados nos kurgans revelam detalhadamente a maneira de viver e seus costumes deste povo nômade, complexo e criativo.

Pantera enrodilhada que provavelmente geometrização das adornava um escudo.
 
Como na pantera, note-se a formas. Ornamento em par, para prender vestes.

As pesquisas arqueológicas revelam um alto grau de unidade cultural na vasta região das estepes e pastagens que se estende por 7 mil quilômetros, do Danúbio até o deserto de Ordos, na China.

Vaso de ouro que faz parte
de um conjunto de 3.
Representam fatos simples da vida dos citas.
 
Pente encontrado em túmulo cita, na Ucrânia.
Novamente, cenas do cotidiano.

Criativos, caçavam com arco e flecha bem pequenos e de fácil manuseio. Pelas imagens gravadas nas jóias podemos observar como tratavam os dentes, como prendiam as botas, como cavalgavam – forravam seus cavalos com um pequeno xabraque (capa de tecido ou couro) e não usavam estribos – foram os primeiros a usar calças compridas da forma que conhecemos hoje.
Esta magnífica peça, no inconfundível estilo zoomórfico cita, é símbolo do museu do Hermitage, em São Petersburgo.

Da mesma forma que não temos certeza como eles surgiram, não se sabe como desapareceram. No entanto, suas marcas permanecem em grande parte da Europa, influenciando diretamente a arte popular do sul da Rússia, nos bordados, nas esculturas de madeira, na olaria e nos brinquedos.

Imagens extraídas do livro A Jóia: História e Design e Museu do Hermitage, São Petersburgo (Les Scythees et lês nômades dês steppes. L’univers dês formes, Gallimard)




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