Quarta-feira, 22 de Maio de 2013
Gemas Orgânicas | As Soberanas Pérolas
Por Jane Leão Nogueira da Gama, G. J. G.*Ao lado dos diamantes as pérolas cultivadas são as gemas mais importantes do segmento joalheiro Entre as gemas orgânicas, as pérolas são as mais importantes. Muitos pensam que as pérolas são somente brancas. No entanto, elas ocorrem em várias cores. As cores básicas incluem: rosa claro, branco e branco amarelado ou amarronzado, chamada de creme. As pérolas cultivadas de cor preta, cinza, azul, roxa e marrom são denominadas pérolas negras, e são conhecidas como taitianas. Das pérolas cultivadas negras, a preta é a mais rara. Formação e Composição da PérolaExistem pérolas de água doce e de água salgada, podendo ser naturais (feitas pela natureza) ou cultivadas (induzidas pelo homem). Quase todas as pérolas vendidas atualmente são cultivadas. As pérolas naturais, assim como as cultivadas, se formam em vários tipos de moluscos de água doce (unio) ou de água salgada (pinctada). Alguns exemplos de moluscos produtores: Água salgada: bivalve: pinctada radiata (Golfos Pérsico e de Maanar, Mar Vermelho e Venezuela);
Água doce: unio (América do Norte) e unio margaritifera (Europa). Pérola natural
Para formar uma pérola solta, o invasor - geralmente um organismo vivo - é imobilizado pelo molusco, que o engloba em seu manto, formando um saco perlífero. A parte interna do saco perlífero é constituída de células produtoras de nácar, que revestirão o invasor com camadas concêntricas de nácar, transformando-o em uma pérola. A composição química da pérola é variável. Normalmente, a pérola é composta de 82 a 86% de aragonita (carbonato de cálcio), de 10 a 14% de conchiolina e de 2 a 4% de água. Pérola cultivadaAs pérolas cultivadas e as naturais são idênticas em aparência. Entretanto, as cultivadas são formadas por indução do homem. O cultivador abre a concha, faz uma incisão no epitélio do molusco e insere um pedaço pequeno de epitélio de outro molusco, em conjunto com uma esfera de madrepérola. Depois que o molusco se refaz da operação, ele é colocado em uma gaiola submersa, para produzir a pérola. Algumas vezes, só o epitélio é implantado para a estimulação da pérola cultivada (anucleada). São exemplos as pérolas cultivadas em água doce. O processo de nucleamento para o cultivo de pérola é muito delicado: de três moluscos nucleados, dois sobrevivem ao processo. Dos sobreviventes, somente ¼ produz pérolas cultivadas e somente uma pérola, a cada quatro cultivadas, é boa o suficiente para exportação. O fator mais importante no tamanho da pérola cultivada é, normalmente, o tamanho do núcleo. A temperatura da água, a localização do núcleo e o tempo que a pérola permanece dentro do molusco também irão afetar o tamanho e a qualidade. O cultivo de pérolas não foi desenvolvido da noite para o dia. No século XIII, os chineses já cultivavam pérolas bolhas ou “blisters”. A indústria moderna de pérola cultivada começou no Japão, por volta de 1890, com Kokichi Mikimoto (1858-1954), que iniciou a produção de pérolas cultivadas semiesféricas ou blisters. Em 1913, Mikimoto iniciou a comercialização de pérolas cultivadas esféricas, mas somente em 1921 a produção desta forma entrou no comércio mundial em quantidades comerciais. Devido ao quase colapso do comércio de pérolas naturais, o negócio de pérolas cultivadas floresceu. Depois dos diamantes, as pérolas cultivadas são as gemas mais importantes do setor joalheiro. Uma colheita produz pérolas de diversas cores, que são separadas. As cores escurecidas pela presença de conchiolina passam por um processo de branqueamento. As pérolas de cores sem atrativo são tingidas ou irradiadas. O tamanho varia de acordo com o tamanho do núcleo implantado, conforme a parte do molusco em que a pérola foi cultivada e o tempo de cultivo. Quanto maior a pérola, mais difícil é o seu cultivo e mais valiosa ela se torna. Oriente é a denominação especialmente usada para as pérolas que apresentam o fenômeno óptico da iridescência. Característico em pérolas de excelente qualidade, é causado pela combinação dos efeitos de:
Fator muito importante para a durabilidade e o brilho da pérola cultivada. Pode variar de muito fino a muito grosso, com uma média de 10% a 15% do diâmetro total da pérola e raramente excedendo 30%. A espessura do nácar das pérolas cultivadas nos Mares do Sul é muito maior que qualquer outra, podendo a melhor qualidade apresentar de 40% a 50% de nácar. As pérolas são muito delicadas. Além de serem porosas, têm dureza de 2 ½ a 4. Nunca limpe pérolas com jato de vapor ou em aparelho de limpeza ultra-som. As pérolas cultivadas exigem mais cuidados que as naturais, principalmente quando em fios de colares. Gordura da pele e de cosméticos tende a entrar entre a camada de nácar e o núcleo. Esta gordura, geralmente acompanhada de poeira, se apresenta através da fina camada perolada, dando à pérola uma aparência lânguida.
As peças de pérolas montadas em fios de seda, se usadas com freqüência, devem ser re-enfiadas anualmente ou bienalmente. TratamentosAs pérolas podem ser tratadas por: branqueamento, tintura, irradiação, capeamento e tratamento da superfície.
Tintura ![]() Pérolas; IBGM Irradiação
Polimento
|