Faro Fino: em busca de pistas das novas tendências
Informação com curadoria
Publicada em 24/10/2008
Bom desenho, boas vendas!
Acreditar que o design é o fator que mais agrega valor aos produtos não é novidade já faz muito tempo. A trajetória das super marcas da joalheria pode muito bem comprovar esta receita de sucesso comercial. Desde 1837, quando Charles Lewis Tiffany abriu a sua primeira loja na Broadway, justamente ancorado na filosofia de que ‘um bom design é um bom negócio’, até as mais recentes tendências do mercado do consumo, podemos confirmar que o design é fundamental.
Luxo não se vende a quilo e jóia não se compra a peso.
Hoje em dia, sabemos que não vendemos e nem compramos tão somente o peso dos materiais preciosos, com os quais as jóias são executadas. No trânsito entre a mercadoria e o consumo de nossos produtos verificamos um significativo percentual de valores imateriais agregados, uma mistura de sonhos, desejos, promessas, estilo e muitas idéias. Tudo isso pode ser resumido numa só palavrinha: DESIGN.
Um brinco chamado pizza?!
Um dos maiores gargalos que o setor joalheiro nacional tem enfrentado, nestes novos tempos, é a concorrência com os baixos preços das mercadorias produzidas pelos fabricantes asiáticos.
Basta uma rápida análise para identificarmos que o tendão de Aquiles desta produção está justamente localizado na prática indiscriminada da cópia de modelos e, principalmente, na banalização das mercadorias do luxo por sua reprodução massificada. Portanto, fica cada vez mais transparente que está no investimento na nossa flexibilidade criativa, no nosso design diferenciado, o antídoto contra a concorrência predatória das joalherias fast food.
Só a criatividade de nosso design nos salvará.
O estilo da joalheria brasileira já é internacionalmente reconhecido por sua criatividade com o uso do ouro e das gemas preciosas. Além disso, nossos designers são também mestres na mágica de criar valor com os mais variados materiais.
A seguir, algumas pílulas para vitaminar a auto-estima de nosso estilo.
Pau-brasil e prata - fotos João Melo
Key Ferreira
Quem pesquisa sabe que o brasileiro Key Ferreira é um dos mais destacados talentos do design de jóias. Não tem qualquer ingenuidade ufanista nesta avaliação da Faro Fino, pois o trabalho do Key realmente atualiza o sentido de valor das jóias contemporâneas.
Tatiana Zaharoff
Novos talentos conquistam sucesso com o bom desenho. A designer de jóias Tatiana Zaharoff, formada pelo curso de design da UVA/RJ, teve a sua coleção, em prata banhada com ouro rosa e quartzo, escalada para a nova novela da Globo, As Três Irmãs. A personagem fashionista, vivida pela atriz Maitê Proença, aparece usando estas peças já no primeiro capítulo da novela.
Virgínia Moraes
A designer Virgínia Moraes é uma pioneira nas experimentações criativas e na pesquisa com diferentes materiais. Esta coleção DISCOS, de jóias de titânio, é comercializada com sucesso para a conceituada marca de acessórios Uncle K e demonstra a qualidade visionária de seu design.
Lugre
Anéis em prata, gema e bom desenho da nova marca Lugre.
A prata tratada de forma escultural e a lapidação especial das gemas agregam o valor imaterial do estilo às peças.
Cida Santos
A designer Cida Santos faz sucesso em suas participações nas feiras nacionais e internacionais com seus braceletes em couro e ouro. O design diferenciado de suas criações possibilita que a comercialização seja realizada sem comparações de preços.
O bom desenho é a nossa arma cultural nada secreta, mas muito eficiente, para nos defender.
Afinal, o design pode enriquecer qualquer material. Mas a sua falta empobrece. Sem ele, até mesmo o mais nobre dos materiais, o nobilíssimo diamante, poderá cheirar ao mais prosaico dos temperos contemporâneos, o orégano.
Bom apetite!
Beijos,
Regina Machado
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