Faro Fino: em busca de pistas das novas tendências
Informação com curadoria
Publicada em 25/09/2008
Joalheria de Desenvolvimento
Design de jóias e sustentabilidade:
seria possível esta parceria?
Se a gente combinar, sim.
A quem este tipo de abordagem interessaria?
A coluna Faro Fino acredita que interessa a todos nós do setor de jóias brasileiro.
Cada vez mais o luxo é construído por detalhes e a sua linguagem finca seus valores na atitude refinada, na evolução das consciências e, vamos combinar, nada mais “old fashion” do que desperdício, irresponsabilidades ecológicas e insensibilidade para as questões humanitárias.
As marcas internacionais estão atentíssimas a estas preocupações e buscam agregar em seus produtos conceitos sensibilizados com a nova consciência de seus consumidores. Na linha de frente das grandes joalherias do mundo, a Tiffany se antecipou e inclui na sua marca o conceito: “Sustainability: our most important design”.
Ainda os ecos do diamante de sangue...
O mundo inteiro se assustou com a informação sobre como a extração dos diamantes era manipulada por interesses políticos escabrosos. Principalmente os consumidores da joalheria, pois estes se sentiram, de certa forma, através do consumo, involuntariamente coniventes com este tipo de absurdo.
Já faz tempo que o luxo busca se desvincular da barbárie.
O brilho das jóias brasileiras não pode ser ofuscado pela sombra da perversidade social. Ao contrário, atentos às possibilidades de melhoria de vida humana, o design de jóias nacional se inspira na luminosa integração do homem com a natureza.
Muito menos do que buscar reviver o susto que o filme nos causou, o que a reflexão da Faro Fino busca é identificar os melhores caminhos para o desenvolvimento da joalheria nacional.
O conceito de Meio Ambiente, com a inclusão do homem, é substituído pelo de “Ambiente Inteiro”.
Um bom exemplo pode ser verificado nas produções de vários pólos joalheiros nacionais, coordenadas pelos Sebraes regionais. As ações em Cuiabá comprovam a tese. O grupo da associação de joalheiros - incluindo fabricantes, designers e ourives - se reuniu em torno de temas para a criação de coleções que lidam diretamente com a questão da sustentabilidade ecológica e social.
A grande variedade cromática das peles tratadas e autorizadas para a comercialização pelo IBAMA
A primeira coleção chamada “Croco Jewel Design” – que utilizava nas peças o couro de jacaré produzido em fazendas devidamente certificadas com selo do IBAMA - surpreendeu tanto o mercado nacional quanto o internacional, quer seja pela ousadia temática quanto pela qualidade estética do design das peças. Atualmente, em sintonia com as preocupações ecológicas, uma segunda coleção vem sendo desenvolvida inspirada na diversidade dos pássaros da região pantaneira.
Em busca do oceano azul da economia criativa
W. Chan Kim e Renée Maubourgne, autores do livro A Estratégia do Oceano Azul, indicam estratégias para a criação de novos mercados e sinalizam alguns caminhos para que os nossos negócios possam nadar no “oceano azul” da economia criativa, longe, bem longe, dos oceanos vermelho-sangue das culturas “atrasadas”.
A preocupação com as questões da ordem da sustentabilidade já não são percebidas como exageros xiitas de ecochatos e, hoje, representam mudanças profundas nas sensibilidades de nossos consumidores.
Atenção: não se trata de uma tendência efêmera da moda.
Portanto, olho vivo nos conceitos das novas coleções, pois as tomadas de consciência são irreversíveis e permanecerão em voga nas próximas estações.
Beijos!
Regina Machado
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