Sábado, 18 de Maio de 2013
Central de Notícias - Bijuterias

Ulisses, Silva, Noemiza, Aberaldo, Véio, Isabel, Nam, Ivonildo, Zefa, Zezinha, Resêndio, Willi, Antônio de Dedé: são nomes desconhecidos por muitos de nós. Alguns os chamam de artesãos, como se tratasse de um fazer menor. Mas são grandes mestres da arte popular brasileira.
Tudo começou na exposição Puras Misturas, em SP, onde erudito e popular se mesclam, bebem nas mesmas fontes, traçam novos caminhos. Saí de lá com um novo olhar. Fui a Maceió, visitei galerias, museus, feiras populares e centros de artesanato. O valor que a arte popular lá alcança é inegável, mas, na maior parte do Brasil, arte popular ainda é objeto para decorar casa de campo e de praia.
A cada coleção desfraldamos a bandeira de nossa marca por um tema que gostaríamos de salientar. Em vez de bandeira, dessa vez usaremos estandartes para lutar pela arte popular brasileira, para validar trabalhos como os da ceramista Isabel Mendes, premiados internacionalmente pela UNESCO e que aqui, até há pouco tempo, nunca tinha merecido uma exposição individual.

Nossa coleção homenageia essas pessoas maiúsculas que, numa sabedoria ímpar, fazem arte com o que está ali em suas mãos: o barro abençoado que dorme junto ao rio, a madeira que, muitas vezes, se aninha no quintal. A simplicidade do material e a riqueza do resultado nos faz crer que “a pobreza gera frutos”. Muitos têm a arte como uma segunda profissão e, pena, a grande maioria não consegue dela viver. De dia são pedreiros, policiais (como o Nilson), e nas (poucas) horas vagas deixam a alma perambular pelo espaço sem limite das artes, com a liberdade que ela e que eles necessitam. Nesse pouco tempo, exercem a profissão “artista”, como disse a colecionadora de arte popular Tânia de Maya Pedrosa.
Parafraseando essa arte, nossa coleção também se apropria de recursos mínimos. Foi assim que os barbantes, tão usados em nosso artesanato de tear, se mesclaram feito meadas, tecendo pontos diversos. Também se aliaram à ráfia negra em um segmento da coleção que homenageia a influência afro em nossa cultura. Colares inspirados nos guias dos orixás e terços “inventados” rezam novos credos. Simples elásticos negros reinventam sinuosidades. O chitão teve sua cor atenuada pelo tingimento e aparece em construções azuis, inspiradas em dobraduras de papel de cigarro. O crochê, tantas vezes por nós banalizado, vem renovado revestindo bolas. O uso de cores primárias, pintadas em cubos de madeira, faz referência à pintura da cerâmica nordestina. Os colares desta série( Puras Misturas) querem ser mais que colares. São fios compridos que cresceram à sombra do brincar, do “faz de conta”, do querer ser outra coisa na vida...

Rogério Fernandes, artista gráfico, nosso parceiro, pintou histórias, lendas do imaginário de nosso povo. Delas nasceu uma linha de bijus em que ilustrações dividem espaço com frases poéticas, conjugando novas rimas. Um colar diz: “Maxixe machuca”; e outro: “Será que eu chego lá, Iemanjá?”.
Cada uma de nossas “artesãs”, da linha de produção, escreveu uma frase. Uma disse: “Eu quero um marido rico!”. São frases singelas, desejos aos metros que, impressos em fitas, revelam colares sonhadores. Queremos apenas que, em cada colar ou em cada frase dessa coleção, alguém se encontre e que, principalmente, encontre nela nossa forma genuína de ser brasileiro!
Lélia Frota, grande defensora de nossas artes, em uma de suas entrevistas, questionada sobre o futuro da arte popular brasileira, respondeu que essa arte pura tem fim. Que surgirão os trabalhos de técnica mista em que o excesso de informação, seja pela net ou até mesmo pelo rádio, interferirão e corromperão o criador.
Arte Popular Brasileira: esta ainda nossa desconhecida pode acabar, ou o que é pior, estar abandonada em uma alguma casa de praia...

Mary Figueiredo Arantes
http://www.marydesign.com.br
O desfile de lançamentosde Inverno 2011 da Mary Design acontecerá no dia 03 de novembro, quarta-feira, 17h30 dentro do 7º Minas Trend Preview. O desfile terá estilo assinado por Isabela Morais, Juliana Sheid, Manuela Romano e Mary Figueiredo Arantes; assistente de Estilo Fernanda Torquetti, produção de Mary Figueiredo, coordenação de Rodrigo Cesário, trilha sonora de Vini Ballet; fotos de produtos; Juliano Arantes.
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