Sexta-feira, 10 de Fevereiro de 2012

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Central de Notícias - Comércio Exterior

Joalheiros e estudantes peruanos estão no Brasil em missão de pesquisa e capacitação


Atualmente, o Peru é o maior produtor de prata do planeta e um dos principais produtores de ouro do mundo - com 6,6% da produção mundial, ocupa o 5º lugar - mas sua participação nas exportações de joias, em relação aos outros países, é mínima.

O traço artesanal da produção e o gosto pelas joias foi herdado de civilizações pré-colombianas que ali passaram - como o Império Inca - mas uma outra característica, adquirida após a invasão espanhola, ainda persiste: a de explorar a matéria-prima pura antes de agregar valor a ela. Mudar esse cenário é o desafio da comitiva montada pela AMCHAM Peru (Câmara de Comércio Americana do Peru) que desembarcou no Brasil essa semana para participar da “Missão de pesquisa, capacitação, compra de materiais e máquinas para o setor de joalheria”.

As atividades, coordenadas pela consultora brasileira Mariana Magtaz, membro da The American Society of Jewelry Historians, e pelo Instituto Brasileiro de Gemas e Metais Preciosos, têm como objetivo desenvolver as empresas e indústrias de joalheria do Peru a fim de garantir um espaço de destaque não só como exportador de matéria-prima, mas também como produtor de joias. As autoridades peruanas entendem que a grande presença de ouro em seus territórios poderia contribuir para que o Peru se destacasse no mercado global de joalheria uma vez que mais de 80% das joias comercializadas no planeta levam algum detalhe em ouro.

Os joalheiros e estudantes peruanos que estão no Brasil participarão de diversas atividades, como visitas a fábricas de insumos e pedras, participações em palestras e idas a fábricas de máquinas para o setor. Além disso, a comitiva irá conhecer a Bijoias São Paulo, maior feira profissional de joias e bijuterias do país, que acontece na cidade de 25 a 27 de agosto. A meta é apresentar ao grupo novos designs para joias, tendências mundiais em joalheria e estratégias de vendas diferentes. Além disso, a ideia é promover o intercâmbio de informações e técnicas com joalheiros brasileiros a partir de visitas a escolas de joalheria famosas no Brasil.

Até dia 29 de agosto, data em que o grupo peruano volta a seu país, eles visitarão a Escola Arte Metal, maior escola de joalheria de São Paulo, passarão pelo ateliê de Patricia Centurion, designer de joias e gemóloga com formação em Florença/ Itália, no bairro Jardins, e também pelo Instituto Europeu de Desenho, sediado em Higienópolis, ambos em São Paulo.

Por que o Brasil?

O Brasil é internacionalmente conhecido por sua diversidade e grande quantidade de pedras. É o segundo maior produtor mundial de esmeraldas e o único em topázio imperial e turmalina Paraíba. Atualmente, estima-se que seja responsável por um terço da produção de pedras do mundo (com exceção de diamantes, rubis e zafiras).

Além disso, esse setor faturou 3,2 bilhões no ano passado apoiado por um parque industrial bastante amplo, com aproximadamente 3 mil empresas de lapidação, joalheria, máquinas e folheamento de metais preciosos.

A joalheria contemporânea peruana

O Peru é um país que tem numerosos recursos minerais, especialmente prata e cobre. Devido à expansão da construção e exploração mineira, a economia peruana é hoje uma das mais dinâmicas da América Latina e teve um crescimento considerável nos últimos cinco anos.

Com tantos recursos minerais, os setores público e privado uniram forças para converter o Peru em um centro produtor de joias – a agricultura ainda é a maior atividade econômica do país, representando 10% do PIB peruano. Para tanto, era preciso capacitar o joalheiro para criar maior valor agregado aos metais e gerar trabalho.

Um exemplo desse esforço foi a criação, em 2004, do Centro de inovação tecnológica de joalheria CITE Koriwasi. Ensinando joalheria, design e fundição, a Koriwasi já capacitou 260 joalheiros. 32 novos ateliers foram abertos gerando 89 novos empregos.

Em 2009, o CITE Koriwasi foi responsável pela criação e realização do maior congresso de joalheria realizado na America do Sul, na cidade de Cajamarca. O congresso teve a participação de 575 joalheiros do Peru, Colômbia, Bolívia, Argentina, México, Brasil e Espanha.

Novos joalheiros peruanos começam e despontar no cenário internacional. O ouro e a prata aliados à história e ao design peruano começam a encantar e seduzir novos mercados. Os metais com o trabalho dos joalheiros peruanos criam novas oportunidades de trabalho e desenvolvimento.

Por seus investimentos em direção a esse objetivo e por ser um país muito aberto ao comércio internacional, membro da OMC e da CEAP (Cooperação Econômica pelo Ásia Pacífico), existe uma expectativa muito grande de que o Peru se torne, no futuro, um grande produtor de joias.

Fonte: D2 Comunicação

Publicada em 26.08.2010

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