Sexta-feira, 10 de Fevereiro de 2012
Central de Notícias - Design
Em comemoração aos 10 anos de pioneirismo do curso de Especialização em Design de Joias da PUC-Rio, a exposição “O Design é Joia” apresentou uma seleção de trabalhos das turmas de 2007, 2008 e 2009.
O Projeto Final do curso teve como desafio a inovação, a pesquisa e a experimentação de materiais e linguagens não-convencionais na joalheria. O objetivo foi oferecer aos alunos um momento de reflexão e a oportunidade de buscar novos caminhos que possam levar à renovação do design de joias.
Os temas percorreram o espaço, o tempo, o sagrado e o profano, conceitos que permitiram a cada um dos designers a escolha de rumos diversos. As joias têm no aspecto simbólico uma de suas mais fortes características. Tangibilizar esses conceitos sem banalizar o objeto foi a proposta. O resultado pode ser conferido nas exposições que já estiveram em cartaz no Solar Grandjean de Montigny, no Campus da PUC-Rio, de 11 a 29 de março e na Tecnogold 2010 de 22 a 24 de abril.
Com curadoria da coordenadora do curso, Cidda Siqueira, participaram da exposição os designers Ana Júlia Vinhal, Anna Izabel Ribeiro, Elisa Paiva, Gabriela Lanzetti, Iriana Tortori, Isabela Spinelli, Juliana Vidal, Léa Mendes, Lucia Arraes, Luciana Amendola, Márcia Navi, Marcio Granatowicz, Mariana Fajardo, Roxana Galli, Vânia Abreu e Victor Ferreira.
Coleção “Sempre me Guarda”

Anna Izabel Ribeiro
A coleção é inspirada nos aspectos do sagrado e do profano presentes nas entidades protetoras, através das figuras do anjo da guarda e da fada madrinha. Ambas têm o papel simbólico de conduzir o seu protegido pelo bom caminho, ajudando-o com os seus conselhos, consolando-o nas suas aflições e sustentando-o com coragem nas provas da vida. O conceito associa a graciosidade do tule à prata, pérolas e pequeninos diamantes. Algumas peças permitem a troca de elementos, possibilitando diferentes composições.
Coleção “Corpo”

Ana Julia Vinhal
O corpo sagrado e o corpo profano são o ponto de partida para a coleção, que busca registrá-los através da fotografia, evidenciando o intrigante, o feminino, o romântico, o sensual, o contraste e a poesia. São detalhes, segredos e mensagens corporais transformados em joias. A poesia também está presente na forma de palavras e versos gravados sobre a prata.
Coleção “OVO - Invólucro da Vida”

Elisa Paiva
A coleção teve o sagrado e o profano como temas centrais. Partindo da análise do ovo, enquanto recipiente que armazena a vida e de suas diversas variações, a pesquisa considerou o casulo, o útero, a semente, etc. As linhas de joias representam a sensação de acolhimento e proteção do invólucro até completar o ciclo, com o rompimento da “casca”. Prata, lâmpadas automotivas recicladas e bolinhas “made in china” foram os materiais escolhidos para representar esta dialética do ser livre e do ser aprisionado.
Coleção “Janela da Alma”

Gabriela Lanzetti
A coleção faz pensar sobre a forma como nos relacionamos com o mundo através do olhar, entre os temas sagrados e profanos, unindo o ver e o sentir. Na composição das peças, a prata mistura-se aos cílios postiços, plumas e recortes vazados, representando os diferentes olhares que lançamos sobre o mundo. A nossa visão pode ter um sentido limitado, mas o olhar interior vai além e a imaginação não tem limites.
Coleção “Esperança”

Iriana Tortori
A coleção Esperança surgiu da união entre o aspecto profano da violência e o sagrado da paz. Seja por aquecimento ou por perfuração, as diversas deformações que o metal pode sofrer serviram de fio condutor para a criação da coleção. A associação da prata e do latão com ralos de cozinha de aço inox originou uma linha de maxicolares e broches. A coleção também possui brincos e anéis em ouro branco ou amarelo e diamantes lapidação brilhante.
Coleção “Todo Dia Maria”

Juliana Vidal
A pesquisa procurou retratar, de maneira lúdica, o universo do sagrado e do profano presente na cultura popular. A coleção tem como inspiração a minissérie “Hoje é
Dia de Maria”, a menina que foge de casa em busca das franjas do mar, fazendo um longo passeio pelos contos populares brasileiros. O ambiente sertanejo, rústico e repleto de magia deu os tons terrosos do algodão natural colorido que, trabalhado e complementado com a prata, reflete o encontro da alma da mulher do sertão com o mundo moderno.
Coleção “Mimos Antigos”

Léa Mendes
A inspiração está no passado, nas prendas femininas transmitidas de geração em geração, durante séculos, como um legado de vida e arte. A pesquisa foi como abrir um baú antigo e resgatar rendas, fitas, bordados, trabalhos com retalhos e artesanato, trazendo de volta toda aquela linguagem delicada e feminina. As técnicas selecionadas, aqui chamadas de “mimos”, foram o bordado de fita, o patchwork, o trabalho com feltro e as rendas.
Coleção “Infinitas Camadas”

Lucia Arraes
Desde a molécula até o universo, tudo foi se desenvolvendo em camadas: a terra, os oceanos, a atmosfera, os objetos, o ser humano e, ultrapassando o plano físico, a aura, as ideias e pensamentos. Em camadas, construímos um edifício, aprofundamos conhecimentos, desenvolvemos um protótipo, geramos uma nova vida. A coleção busca valorizar cada pedaço do que é construído, fortalecendo a importância das etapas e, sobretudo, mostrando que é através das partes que poderemos compreender e apreciar o todo.
Coleção “Exú - Senhor do princípio e da Transformação”

Luciana Amendola
A pesquisa partiu das energias telúricas básicas, dos aspectos sagrados e profanos inerentes ao princípio da vida e das transformações que ocorrem a partir dos erros, acertos, escolhas e caminhos a percorrer. A coleção retrata simbolicamente a experiência de vida da própria designer, das transformações que não cessam de acontecer, desde o princípio, no útero materno. Com um design arrojado, as peças são feitas de pneu de bicicleta e linhas coloridas, com arremate em prata.
Coleção “A Massa da Pedra Filosofal”

Marcia Navi
Pedra Filosofal: durante a Idade Média, os alquimistas tentaram, sem êxito, transmutar o profano em sagrado, ou seja, transmutar os metais inferiores em ouro e obter o Elixir da Longa Vida. No século XXI, a moderna tecnologia me permitiu uma solução criativa com o uso do macarrão, transformando-o em metal. O conceito é elementar, uma vez que a comida vale ouro!
Coleção “Espiral do Tempo”

Márcio Granatowicz
A pesquisa partiu do mito de Perséfone, condenada a sair e retornar ao reino dos mortos todos os anos, ou seja, completar o ciclo sagrado do tempo e da vida. Unindo o céu e a terra, o externo e o interno, o mito também está ligado ao ciclo anual da produção e da colheita. O movimento repetitivo, contínuo e tridimensional é representado pela espiral. As joias foram desenvolvidas em E.V.A. (estileno vinila acetato) nos tons terrosos, tendo como base a prata.
Coleção “Em caso de fuga, todo aquele que fica para trás é deixado para trás!”

Mariana Fajardo
A pesquisa partiu do Sagrado e do Profano presentes nas histórias e atitudes dos piratas, sempre em busca de tesouros. Os elementos que simbolizam os piratas, como o tapa-olho, fivelas dos cintos, mapas do tesouro, moedas e brasões, estão presentes na coleção, de forma estilizada. Os materiais utilizados são a prata, o cetim e a esmaltação.
Coleção “Carbono”

Roxana Galli
Conhecer a substância, que é o interior, é conhecer os materiais com suas diferentes qualidades e acidentes. A substância que subjaz no mundo é o carbono que, em cadeias curtas ou longas, produz materiais que sustentam as nossas vidas prática, econômica e afetiva. Os hidrocarbonetos são o petróleo, sendo matéria-prima para a obtenção do plástico. O carbono amorfo é o grafite e o carbono cristalino é o diamante. Do Espaço e Tempo, eternidade, impenetrabilidade e transparência conceituam a coleção através do plástico, grafite e diamante, somados ao ouro e à prata.
Coleção “Touch”

Vania Abreu
A coleção fala da importância do toque na vida cotidiana, da necessidade do contato físico e da busca por sensações. O prazer do toque pode estar em perfeita sintonia com a moda e o estilo. “Touch” é uma coleção de objetos de adorno que criam, através de materiais diversos, uma linha sensível dos pés à cabeça, provocando estímulos táteis e visuais.
Coleção “Resíduos e Descartes”

Victor Ferreira
A beleza nem sempre está no óbvio. Ela também pode ser encontrada no improvável. Tudo depende da forma como olhamos o mundo. A coleção partiu do conceito de reaproveitamento criativo do descarte social, com uma pesquisa de materiais recicláveis no Centro Comunitário de Coleta Seletiva de São Francisco, Niterói. As joias unem a prata e a resina com materiais como latas de refrigerante, jornal, dinheiro antigo e cacos de azulejo.
Fotografias: Gilson Paulino