Sexta-feira, 10 de Fevereiro de 2012
Central de Notícias - Design
Stefano Ricci é designer de joias italiano, arquiteto e professor. Trabalha à frente do Studio Ricci Design e seu currículo inclui clientes como Smolensk Diamond, Bulgari, Chopard, Rolex, Piaget, Movado e Swarovski.
Stefano esteve no Brasil em agosto passado a convite do Polo Joalheiro do Pará, onde participou do "Simpósio Internacional Técnico Científico do Setor Joalheiro: Diálogo entre Arte, Design de Joias e Patrimônio Histórico Cultural", promovido pelo governo do Estado, por meio da Secretaria de Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia (Sedect), Universidade do Estado do Pará (Uepa), Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-Pará), Instituto de Gemas e Joias da Amazônia (Igama)/Polo Joalheiro e Organização Social Pará 2000.
Ele também ministrou o "II Workshop Internacional em Marketing, Design e Ourivesaria", que ajudou a orientar os joalheiros paraenses na criação da coleção 2010 "Universo do Lugar".

Stefano Ricci, Paolo Callucci, Fernando Cortés, Rosângela Quintela, Raimundo Pinto e Adriano Mol,
durante o VI Encontro do Setor Joalheiro
Em dezembro último, voltou ao Brasil para compor a mesa do "VI Encontro do Setor Joalheiro – Elos Inovadores: Criação, Produção, Gemologia e Turismo", ocorrido durante a VI Pará Expojoia Amazônia Design.
Stefano Ricci falou ao Portal InfoJoia sobre os conceitos que influenciam a criação joalheira contemporânea. Acompanhe!
O que é criatividade?
É a atitude de expressar, através de uma forma original e perceptível, as emoções, a poesia e a cultura de um autor.
Como a produção em massa afetou o glamour das joias?
A produção de massa já faz muito tempo que abdicou da criatividade, privilegiando as tendências (ou seja, os “concepts” e as linguagens) adotadas pelas grandes marcas, enquanto mais facilmente perceptíveis e percebidos pelos objetivos de referência. O glamour das joias fica bastante longe das atuais produções de massa.
Como resgatar o valor simbólico das joias?
Para resgatar o valor simbólico das joias é necessário preferir uma culta, seria e meditada pesquisa de projeto, em vez de uma improvisada dinâmica de composição, de uma criatividade sem referências, que pontualmente tenta se acreditar como “projetos” altamente inspirados e/ou inovadores: simples intuições do estado primário.
Quais os produtos que concorrem com a joia no mercado contemporâneo?
Os videogames, os telefones celulares, os SPAs (para o bem-estar do corpo), as viagens, a cirurgia estética... Enfim, tudo o que induz a sonhar e, portanto, a desejar uma realidade que possa, de alguma forma, modificar o dia-a-dia das pessoas frustradas pela rotina.
É verdade que, na joalheria, quanto mais se produz, menos se vende?
Sim, é absolutamente verdadeiro e pontualmente verificado nos chamados mercados “maduros”, onde o achatamento da joia e a homologação são um problema muito evidente e não resolvido.
O que é cultura de projeto?
A cultura de projeto é tudo aquilo que deve ser considerado, verificado e concretizado em um projeto, através da criação de formas significantes, identificantes, reconhecíveis, reproduzíveis, que podem ser protegidas por patentes (sendo originais), comunicáveis (para os conteúdos de narração que representam) e possível de propor comercialmente a um determinado tipo de público (que se reconhece naquelas formas).
Qual é o paradoxo atual da joalheria?
A joalheria abdicou da criatividade e a histórica autonomia da moda, enquanto a bijuteria (ou seja, os objetos realizados com materiais não preciosos), ao contrário, se põe muitas vezes de forma muita autônoma e altamente criativa no que diz respeito à moda, da qual é historicamente acessório e complemento.
Quais são os valores desejados pelo público consumidor de joias?
O público que compra joias pede, antes de tudo, para sonhar. O desejo por uma joia é de qualquer forma alimentado, também, pelo seu significado, pela qualidade do projeto e do trabalho manual que a diferencia, pela possibilidade de ser única e/ou personalizada (como uma roupa de alfaiate), pela preciosidade e/ou raridade dos materiais que a compõem.
Como os signos e símbolos brasileiros podem ser modernizados para abrir mercado para a joia brasileira no exterior?
As joias brasileiras deveriam valorizar as culturas, a história, as tradições, as técnicas artesanais dos diferentes territórios do País, sem abandonar-se às fáceis tentações típicas dos produtos étnicos. Isso comporta um grande esforço cultural coletivo que possa permitir gerar um design e um artesanato cultos e modernos, capazes de satisfazer, sem se prefixar objetivos de saturação, tanto no mercado interno como no externo. A joia brasileira deveria representar, como a joia de qualquer outro lugar do planeta, uma forma autônoma de beleza autêntica e fortemente expressiva.
