Sexta-feira, 24 de Maio de 2013
Central de Notícias - Mercado
Por Manuel Enriquez Garcia
Segundo dados da Pesquisa Industrial Mensal, publicada pelo IBGE, a produção industrial brasileira registrou, em novembro de 2009, variação negativa de -0,2% em face do mês imediatamente anterior, considerando-se a série com ajuste sazonal. Diz o IBGE que em novembro quebrou-se a sequência de dez meses consecutivos de crescimento (janeiro a outubro), período em que a indústria brasileira acumulou um incremento positivo de 19,4%. Em outra base de comparação, de novembro de 2009 em comparação com novembro de 2008, o produto industrial cresceu 5,1%, enquanto no acumulado do ano a taxa registrada em novembro de 2010 empurrou o indicador para o percentual de -9,3% e para -0,7% no acumulado de 12 meses até novembro de 2009.
Segundo o IBGE, na passagem de outubro para novembro de 2009, dos 27 ramos pesquisados 15 registraram quedas no produto industrial, com destaque para veículos automotores (-2,2%); outros equipamentos de transporte (-7,2%); edição e impressão (-2,3%); máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-2,9%) e material eletrônico e equipamentos de comunicações (-2,8%).
Com acréscimos positivos destacaram-se os ramos de máquinas e equipamentos (3,9%); refino de petróleo e produção de álcool (3,5%); minerais não metálicos (3,5%); metalurgia básica (1,3%) e máquinas para escritório e equipamentos de informática (3,9%). Por sua vez, dentre as categorias de uso, o setor de bens de capital foi o que registrou a maior taxa de crescimento (6,1%), na passagem de outubro para novembro de 2009, seguido por bens intermediários com incremento positivo de 2,1%, enquanto os índices de bens de consumo foram desfavoráveis, pois registraram quedas: de -4,8% em bens de consumo duráveis e de -0,6% em bens de consumo semiduráveis e não duráveis.
Por seu lado, na comparação com novembro de 2008, três das quatro categorias de uso experimentam forte recuperação, com destaque para bens de consumo duráveis (26,3%), graças ao forte incremento registrado na produção de automóveis (58,8%) e de eletrodomésticos (17,9%), especialmente os da “linha branca” (24,3%); bens intermediários com incremento de 5,2% e bens de consumo semi e não duráveis, com variação positiva de 1,8%. O setor de bens de capital, por sua vez, em igual período de comparação, registrou recuo de 2,5%.
Os dados relativos à utilização do nível de atividade elevaram-se nos últimos meses, mostrando uma contínua e persistente redução da ociosidade da indústria. Assim, o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) na indústria de transformação, calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) com ajuste sazonal, atingiu 82,9% em novembro de 2009, ligeiramente superior ao registrado no mês anterior (82,5) e ao nível de 77,9% registrado no período fevereiro-março de 2009.
Quanto ao emprego industrial, os dados do IBGE apontam para um crescimento de 1,1% em novembro em face do mês imediatamente anterior; recuo de 4,1% no confronto com igual mês de 2008 e queda de -5,5% no acumulado de janeiro-novembro/09 em relação a igual período de 2008. Na comparação novembro/09-novembro/08, o emprego industrial amargou sua décima taxa negativa consecutiva (-4,1%), com redução do nível do pessoal ocupado em 13 das 14 áreas pesquisadas e em 16 dos 18 segmentos industriais.
O Estado de São Paulo, com recuo de 3,0% no emprego, exerceu forte impacto negativo na taxa observada, seguido por Minas Gerais, com queda de 9,1%, regiões Norte e Centro-Oeste (-6,5%) e Paraná (-5,5%). Em São Paulo, as principais quedas no produto industrial foram registradas nos segmentos de: meios de transporte (-13,6%), máquinas e equipamentos (-9,3%) e produtos de metal (-11,1%). Em Minas Gerais, os maiores recuos foram observados nos segmentos de vestuário (28,3%) alimentos e bebidas (7,1%), e metalurgia básica (13,1%). Já na região Norte e Centro-Oeste, as maiores quedas na produção industrial foram notadas nos segmentos de madeira (-29,6%) e máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (-18,4%), enquanto no Paraná, as principais pressões negativas foram detectadas em outros produtos da indústria de transformação (-19,7%) e madeira, com recuo de 17,1%.
O número de horas trabalhadas apresentou crescimento de 0,9% na passagem de outubro para novembro de 2009, porém, registrou queda de 3,6% na comparação com igual mês do ano passado, além de recuo de 6,0% no acumulado de jan-nov/09 em face de igual período de 2008. Analisando-se o indicador acumulado no ano, observa-se que o total de horas pagas na indústria amargou queda de 6,0% na comparação com igual período de 2008, com cortes que atingiram todos os locais e 15 das 18 atividades pesquisadas.
A pesquisa do IBGE evidenciou impactos negativos sobre o total de horas trabalhadas provenientes de: máquinas e equipamentos (-11,2%), meios de transporte (-11,1%), vestuário (-8,0%) e produtos de metal (-9,3%). Com impactos positivos sobre esse indicador a pesquisa do IBGE apontou para os setores: de papel e gráfica (6,3%), refino de petróleo e produção de álcool (1,5%) e minerais não metálicos (0,1%). Regionalmente, e na mesma base de comparação, as maiores pressões negativas sobre o total de horas trabalhadas foram observadas em São Paulo (-4,4%), Minas Gerais (-8,4%) e região Norte e Centro-Oeste (-10,0%).
O IBGE, em outra pesquisa, a Pesquisa Mensal de Emprego e Salário, registra que a taxa de desocupação em novembro de 2009 foi de 7,4%, ligeiramente inferior à taxa registrada no mês imediatamente anterior (7,5%) e em relação à observada em novembro de 2008 (7,6%). Os dados do IBGE registram também que o contingente de pessoas ocupadas, estimado em 21,6 milhões em novembro de 2009, para o total das seis regiões metropolitanas, apresentou estabilidade tanto em relação a outubro de 2009 quanto na comparação com igual mês de 2008.
Por sua vez, o contingente de pessoas desocupadas, igual a 1,7 milhão, manteve-se estável no total das seis áreas pesquisadas pela Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE, tanto em relação a outubro de 2009 quanto na comparação com igual mês de 2008. Quanto ao rendimento médio real habitualmente recebido pelos trabalhadores, relata o IBGE que em novembro de 2009, para o agregado das seis regiões metropolitanas, o valor foi estimado em R$1.353,60 (mil trezentos e cinquenta e três reais e sessenta centavos), o que representou estabilidade em face de outubro/09, porém incremento positivo de 2,2% em relação a igual mês de 2008.
Por último, a massa de rendimento real efetivo dos trabalhadores ocupados, em outubro de 2009, totalizou R$29,4 bilhões, um incremento de 0,5%, na comparação com o mês imediatamente anterior e de 3,2% na comparação com outubro de 2008.
Enfim, os vários indicadores, de produção, emprego e nível de atividade, até este momento evidenciam a retomada do nível de atividade industrial e do emprego no setor industrial brasileiro, embora a taxas inferiores às observadas em outros setores da economia, caso das registradas no setor serviços.
(*)Manuel Enriquez Garcia é professor da FEA-USP. E-mail: enriquez@usp.br.
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