Segunda-feira, 20 de Outubro de 2014

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Central de Notícias - Diamante

As cores do diamante e sua classificação


Por Chang He Ok, FGA, DGA*




Coleção de diamantes brutos de formatos e cores diversos encontrados no Brasil; foto: Manual Técnico de Gemas, publicado pelo IBGM


São mais comuns na natureza os diamantes de aparência incolor com leves matizes amarelos ou marrons. Nesta categoria, total ausência de cor faz com que o diamante fique mais valorizado, correspondendo à denominação D na graduação de cor de diamante desenvolvida pela GIA (Gemological Institute of America) e reconhecida internacionalmente.

Conforme a intensidade de matizes, os diamantes recebem classificação de cor E, F, G, H, I, J, K etc., até chegar à cor Z, que possui tonalidade bem amarelada ou amarronzada. Diamantes de cor Z são os mais abundantes na natureza e são menos valorizados comercialmente. Nesta escala de aparência incolor, a diferença de uma cor para outra adjacente é muito sutil e dificilmente pode ser identificada sem instrumentos gemológicos adequados. Pequenas diferenças na cor podem influenciar imensamente no valor do diamante.




Diamantes fancy azul de 5.96ct e verde de 2.52ct levados a leilão pela Sotheby’s de Genebra em 17/11/2009


Cores fantasia: fancy colours

Os diamantes podem ser encontrados também em todas as cores do arco-íris. Quando a cor é bem definida, recebe classificação da cor Z+ (cor fantasia – “fancy colour”). A graduação de diamantes coloridos é baseada em análise conjunta de matiz, tonalidade e saturação da cor.

Preço e raridade

Os diamantes da cor amarela e marrom são os mais comuns. São mais raros os exemplares de diamantes nas cores azul, alaranjada, rosa e verde. São extremamente raros os diamantes nas cores vermelha, laranja e púrpura. O diamante de cor verde ou azul bem saturado e radiante (fancy vivid) é também enquadrado nesta última categoria: dos extremamente raros. Alguns especialistas estimam que dentro de 25.000ct de diamantes lapidados, apenas 1ct pode ser classificado como fancy intenso.

Diamantes incolores e puros comandam o preço altíssimo, mas o seu preço pode representar apenas uma fração de determinados diamantes de cor fantasia.  Para ter uma ideia, em 1987, um diamante vermelho-púrpureo de 0,95ct, batizado como “Hancock diamond” foi rematado no leilão por US$880,000, equivalente US$926,315 por quilate. As gemas tão excepcionais, tanto na cor e no tamanho, são normalmente negociadas através da casa de leilões de renome internacional, tais como Sotheby’s, Christie’s, etc.

Já os diamantes amarelos e marrons têm preços bem mais moderados que os diamantes incolores. Os preços de gemas são determinados pela raridade e demanda.




Diamante cor-de-rosa de 6.63ct e diamante amarelo de 74,80ct levados a leilão pela Sotheby’s de Genebra em 17/11/2009


A causa das cores do diamante

Os cientistas atribuem a cor do diamante à presença de impureza ou defeitos na rede cristalina da pedra. O diamante puro, completamente incolor, é formado apenas por um elemento: carbono. No entanto, alguns átomos de carbono podem ser substituídos por nitrogênio ou boro.

Os átomos de nitrogênio presentes são responsáveis pelos diamantes incolores a amarelados e amarronzados e pelas cores fantasias amarela, laranja, marrom, rosa, verde, vermelha e violeta. Já os átomos de elemento boro são os responsáveis pelas cores azul e cinza.

A distorção na rede cristalina da pedra, devido aos espaços vazios criados pela ausência de alguns átomos de carbono, pode produzir diamantes marrons, rosa e vermelhos.

Diamantes verdes podem também adquirir sua cor pela radiação natural, quando o depósito de diamantes fica próximo às rochas radioativas.

É muito interessante observar que, nos diamantes, os defeitos na estrutura cristalina podem resultar em pedras de beleza singular, raras e por isso bastante valiosas. 

Tratamento

É importante observar que os numerosos diamantes coloridos que circulam no mercado são resultados de tratamento artificial, normalmente a combinação de irradiação e tratamento térmico, ou pelo processo HPHT (alta pressão e alta temperatura – “High Pressure & High Temperature”) para que os diamantes de cores menos favoráveis comercialmente tornem-se mais atrativos.




*Chang He Ok, FGA, DGA

Gemóloga responsável pelo Laboratório Gemológico da AJORIO – Associação dos Joalheiros e Relojoeiros do Estado do RJ, integrante da Rede IBGM de Laboratórios Gemológicos.

laboratorio@ajorio.com.br

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Foto: Manual Técnico de Gemas, publicado pelo IBGM

Publicada em 19.11.2009

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