Sábado, 04 de Fevereiro de 2012

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Central de Notícias - História da joalheria

As Joias Déco


Por Eliana Gola

Na década de 30, quando as atrizes de cinema eram os árbitros da moda, o ideal de beleza de toda mulher era ter ombros largos e quadris estreitos. Greta Garbo foi um padrão.




Greta Garbo



Jean Harlow, símbolo sexual dos anos 30


Nessa época, as pernas deixaram de ser a região mais erótica do corpo e o foco passou a ser as costas, desnudadas até a cintura, mesmo nos vestidos para uso durante o dia. As nádegas também se revelaram sob a roupa; a saia ficou mais curta e justa no quadril. Os cabelos ficaram à mostra e, já desde a década anterior, os penteados passaram a ser bem rentes à cabeça, a La garçone, ou seja, à moda dos rapazes, ou em pequenos cachos na nuca. O chapéu foi abandonado.



O corpo se expôs ainda de outras formas. O banho de sol tornou-se um hábito e, com isso, os trajes de praia modificaram-se, mostrando e marcando mais o corpo.



Os esportes como o tênis, a patinação e o ciclismo foram valorizados e influenciaram a moda. A altura da mulher também passou a ser valorizada e os costureiros utilizaram recursos diversos para dar às mulheres a impressão de serem mais altas.

A crise econômica de 1929 também influenciou esse período. Vestidos de noite passaram a ser confeccionados com tecidos que, até então, eram usados somente durante o dia: a casimira, o algodão e a lã. As roupas das diversas classes sociais tornaram-se semelhantes, por causa da difusão dos toiles – moldes cortados em linho – que copiavam os modelos das grandes casas europeias, além da divulgação dos tecidos sintéticos.

Assim como os tecidos, os materiais sintéticos também estiveram presentes na joalheria, em peças concebidas para compor com longos decotes dos vestidos: Brincos – em grande parte de pressão -, tiaras, gargantilhas, pulseiras e broches.

O termo art déco, de origem francesa (abreviação de arts décoratifs), refere-se a um estilo decorativo que se afirma nas artes plásticas, artes aplicadas (design, mobiliário, decoração etc.) e arquitetura no entre guerras europeu.




Arquitetura estilo Art Déco


O art déco liga-se na origem ao art nouveau. Derivado da tradição de arte aplicada que remete à Inglaterra e ao Arts and Crafts Movement, o art nouveau explora as linhas sinuosas e assimétricas tendo como motivos fundamentais as formas vegetais e os ornamentos florais. O padrão decorativo art déco segue outra direção: predominam as linhas retas ou circulares estilizadas, as formas geométricas e o design abstrato. Entre os motivos mais explorados estão os animais e as formas femininas.




Klimt


Nesse sentido, é possível afirmar que o estilo "clean e puro" art déco dirige-se ao moderno e às vanguardas do começo do século XX, beneficiando-se de suas contribuições.

O cubismo, a abstração geométrica, o construtivismo e o futurismo deixam suas marcas na variada produção inscrita sob o "estilo". O vocabulário moderno e modernista combinava-se nos objetos e construções art déco com contribuições das artes hindu, asteca, egípcia e oriental, com inspiração no balé russo de Diaguilev, no Espirit Nouveau de Le Courbusier (1887 - 1965) e com a reafirmação do "bom gosto" estabelecido pela Companhia de Arte Francesa (1918).

O art déco apresentou-se de início como um estilo luxuoso, destinado à burguesia enriquecida do pós-guerra, empregando materiais caros como jade, laca e marfim. É o que ocorre nas confecções do estilista e decorador Paul Poiret, nos vestidos "abstratos" de Sonia Delaunay (1885 - 1979), nos vasos de René Lalique (1860 - 1945), nas padronagens de Erté. A partir de 1934, ano de realização da exposição Art Déco no Metropolitan Museum de Nova York, o estilo passa a dialogar mais diretamente com a produção industrial e com os materiais e formas passíveis de serem reproduzidos em massa. O barateamento da produção leva à popularização do estilo que invade a vida cotidiana: os cartazes e a publicidade, os objetos de uso doméstico, as joias e bijuterias, a moda, o mobiliário etc.

Foi enorme a produção de joias desse período, no estilo por excelência das artes decorativas, tanto que é denominada art déco. Audacioso e geométrico, aplicado a todas as artes, esse estilo teve na joalheria sua expressão artística mais clara e atraente. Ao contrario do art nouveau, o art déco se afastou da emoção e atraiu o intelecto, baniu imagens sinuosas, de formas livres e muito adornadas, criando um visual seco e simétrico.

A preferência por formas geométricas foi inspirada nas pinturas cubistas de Pablo Picasso e George Braque. As combinações de cores, fortemente contrastantes, derivavam das pinturas do fauvismo e dos figurinos para balés russos criados por Leon Baskt (1866-1924) e Alexandre Benois(1870-1960).




Leon Baskt e Alexandre Benois


O estilo Déco reflete a velocidade e o movimento, alem das formas das novas máquinas. Alguns temas do período anterior persistem como cestas de flores, mas agora sempre muito estilizados. Os materiais empregados nessas peças não eram caros, ainda que algumas delas tenham sido elaboradas em materiais preciosos, o que permitiu a produção, na época, de ampla variedade de joias interessantes e adaptadas ao orçamento de todas as mulheres.

A inovação do design e da produção do período partiu das casas de joalheria parisienses da place Vendöme e da rue de La Paix – Van Cleef & Arpels, Mauboussin, Boucheron e Cartier ditaram as tendência da moda na feitura de joias e também os avanços técnicos.




fachada da boutique Van Cleef & Arpels nos anos 30


Entre as inovações, a mais importante foi a que se refere aos cortes das pedras. Pedras quadradas eram lapidadas para seguir o contorno de um design, com forma irregular. Essas pedras em corte calibre eram utilizadas para engastes invisíveis, nos quais as pedras eram perfuradas partindo de trás e montadas de beira a beira em haste de metal, permitindo uma superfície sem interrupções, `sem costura´. Essa técnica foi inventada por Van Cleef & Arpels, que a executou em broches espetaculares, para personalidades como o duque de Windsor, em 1936. Técnicas de engaste e cuidadosas combinações de pedras tornaram-se vitais, pois o valor ou efeito da pedra em si não caracterizava o teor principal da joalheria déco.




O misterioso engaste invisível: cravação de safiras e diamantes em ouro e platina de Van Cleef & Arpels


O valor da peça era ditado pelos padrões de cravação em linha, pela maneira como elas se organizavam no design global.

Ainda quanto às peças déco, cabe ressaltar mais algumas características. Houve grande preferência pelas peças individuais e não pela formação de conjuntos, as famílias de joias.




Tiffany & Co. produziu este broche composto de diamantes, esmeraldas, safiras e um rubi.


Os anéis eram populares em mãos sem luvas e, os cortes de cabelos, mais curtos, pediam brincos mais longos e balançantes. Também as pulseiras eram acessórios importantes e quem as usava geralmente as exibia copiando as estrelas de cinema: várias em cada braço.

Já usados desde os anos 20, os clipes de vestido tornaram-se must absoluto nos anos 30. Cartier patenteara o clipe duplo, em 1927 e foi muito copiado na joalheria dos anos seguintes.

Os clipes duplos eram muito versáteis e para os orçamentos do período da depressão, tornaram-se uma compra racional. Eram usados individualmente, chamando atenção ou para as costas da mulher, no decote profundo de um vestido de noite, ou para o colo, quando em um decote em V. Podiam ainda ser usados em pares, enfeitando um decote quadrado; ou ainda, presos em bolsas, chapéus e echarpes.




Bracelete em prata e ônix, inspirado em peças de máquinas.



Pendente de nome Stalactite, desenho de Cartier, feito com diamantes, lápis- lazúli, esmeralda rolada e pérolas.


A joalheria da França e da Alemanha foi amplamente difundida nos Estados Unidos. Foi nessa época que fez sucesso o visual all White , inspirado no estilo criado por Jean Harlow: vestido de noite branco e justo, pele de raposa branca e um amontoado de diamantes e platina.

Mas não só de diamantes e platina vivia a joalheria. Havia a produção verdadeira, bastante limitada, dos designers que se destinava a la crème de la crème da sociedade, que tinha condições de seguir a moda. Nessa historia de seguir a moda, algumas marcas se tornaram muito populares. Foi o caso de Coco Chanel e de Elsa Schiaparelli. Chanel, por exemplo, vendeu muitas falsas joias, purissima imitação.




Coco Chanel


Depois da Primeira Guerra, os Estados Unidos passaram por uma industrialização de grande escala e, nos anos 30, produziram joias de alta qualidade em escala impossível para a Europa do pós-guerra. Paris continuava a ditar o estilo, mas, na fase final do art déco, os Estados Unidos eram os grandes produtores.


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Publicada em 10.07.2009

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