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Central de NotÝcias - Bijuterias

Todas as cores do vidro artÝstico de Murano


Murano é um pequeno arquipélago formado por sete ilhas, a apenas 1 km de distância de Veneza. Os objetos de vidro produzidos nesta região – através de uma técnica artístico-artesanal - são mundialmente conhecidos por sua qualidade e beleza. Esta técnica, milenar, se caracteriza pelo brilho intenso, pela leveza do material, pela criativa mistura de formas, texturas e, principalmente, por um bom gosto peculiar no uso das cores.

A técnica de moldar e dar cor ao vidro em Murano ficou tão famosa que várias réplicas e imitações começaram a aparecer. Fruteiras, vasos, pesos de livro, todo e qualquer objeto de decoração que já tivesse sido feito nas ilhas começou a ser produzido em grande escala. Por que já não era mais uma técnica, mas sim um estilo, associado à alta qualidade e beleza.

A arte de trabalhar o vidro remonta aos fenícios, aos egípcios e aos mesopotâmicos, mas foi em terras italianas que a herança vinda do Oriente foi aprimorada e adquiriu status.

Em 1291, os artesãos foram confinados nas ilhas, inicialmente, para guardar o segredo das belas peças, mas também para livrar Veneza do risco de incêndios, uma vez que todos os prédios da cidade eram construídos com madeira.

Em Murano, as peças são produzidas com a areia do Mar Adriático - aquela parte do Mar Mediterrâneo ao lado da “bota” que o mapa da Itália forma - de onde é retirada a sílica, matéria-prima do vidro. Por ser uma região de águas calmas, a areia sofre menos atrito, o que resulta em uma maior qualidade para o trabalho dos artesãos.

Hoje, até mesmo a Itália importa peças de vidro, que não são os vidros de Murano, uma vez que por motivos óbvios, só é vidro de Murano o vidro feito em Murano. Mas a técnica, o trabalho artesanal, a característica artística do manuseio do vidro foram levados para diversas outras localidades, difundindo o trabalho mundo afora.

A maleabilidade do vidro proporciona um número sem fim de formas a serem moldadas, desde esculturas e vasos grandes e pesados, até delicadas contas, que são utilizados em joias e acessórios, e muitas vezes produzidos aqui mesmo, no Brasil.



Processo de modelagem do vidro na fábrica da Cristais São Marcos, em Poços de Caldas


Isto por que não é só a areia do Mar Adriático que é ideal para a confecção dos vidros: a areia de Poços de Caldas já foi avaliada por laboratórios em Veneza e considerada uma das melhores dentre todas que foram analisadas nos últimos dez anos, devido à excelente formação geológica encontrada em solos brasileiros.

A Cristais São Marcos, empresa mineira de Poços de Caldas, produz vasos, fruteiras, cachepôs, castiçais, pesos para papel, garrafas decorativas e lamparinas, entre outros, seguindo com esmero a arte de dar forma e cor aos vidros, passadas pelo mestre vidreiro italiano Aldo Bonora. Com mais de 40 anos de experiência, hoje eles exportam os produtos para vários países, inclusive a Itália.



Objetos de decoração de vidro estilo murano da Cristais São Marcos


A empresa Biwa, distribuidora de pérolas e pedras preciosas, oferece uma grande variedade de cores e formas, possibilitando as mais diversas aplicações. Os elementos são importados e utilizados para a confecção de joias e bijuterias. A Biwa lançou os elementos de vidro estilo murano atendendo uma necessidade do mercado de ter peças com cores diferenciadas, não conseguidas com as pedras naturais, mas facilmente obtidas com o vidro, uma vez que determinada combinação de elementos químicos resulta em cores diferentes. As cores decorrem da presença de impurezas ou óxidos. Cobre e cobalto resultam naquele azul “água-marinha” emblemático dos muranos. O cobre provoca, também, um azul mais para o turquesa, enquanto que o ferro e o antimônio puxam tons amarelos e o magnésio, os arroxeados.



Elementos de vidro estilo murano distribuídos pela Biwa



Elementos de murano Biwa já montados em chaveiros e pingentes para celular


A designer Claudia Leon costuma utilizar os elementos de vidro em suas criações. Há doze anos atuando no universo joalheiro, ela aliou a experiência como vendedora de boutiques à sua formação como designer de joias na Escola Santa Marcelina, e hoje confecciona, artesanalmente, peças exclusivas com grande variedade de materiais, utilizando prata com banho de ródio, pedras preciosas e vidros estilo murano.

“Este é o foco da coleção outono/inverno. O murano é uma arte em vidro onde formas e cores se misturam de maneira encantadora. Ao mesmo tempo, surgem delicados detalhes florais trabalhados na pedra que chamam muita atenção”, diz.



Joias com vidros estilo murano da designer Claudia Leon


Outras aplicações também têm sido dadas às peças. A designer de interiores Clarisse Rittes criou, há três anos, uma linha de peças moldadas a mão, trabalhadas com fios de alumínio e contas de vidro estilo murano que adornam e tornam únicos talheres, bandejas, copos, taças e outros objetos decorativos.



Em sentido horário: xícara e colher de chá, misturadores, abridor de garrafas e canecas da grife Pinkish



Em sentido horário: garfos de coquetel, colheres diversas, colheres de café  e colheres de brigadeiro  da grife Pinkish


A grife, batizada de Pinkish, compra os elementos de artesãos que os produzem com exclusividade para este fim, nas cores e tamanhos desejados para cada peça. “Não são peças que se encontram disponíveis à venda, porque são feitas por encomenda mesmo”, diz Clarisse, fazendo certo mistério.

Como se vê, não era só na ilha de Murano que os segredos eram guardados a sete chaves.


 

Fonte: Da RedašŃo

Publicada em 26.05.2009

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