Quinta-feira, 23 de Maio de 2013
Central de Notícias - Mercado
Por Ecio Morais, Diretor Executivo do IBGM
Antes de tudo, gostaria de agradecer o convite do InfoJoia para assinar uma coluna sobre o setor joalheiro e suas relações com o mercado em geral.
Nesta primeira oportunidade, gostaria de pedir a paciência de todos e refletir um pouco sobre um assunto exaustivamente abordado ultimamente: a crise econômica global.
Esta crise nos mostra que, definitivamente, a história não acabou e os velhos ciclos econômicos de crescimento e retração ainda existem e a roda da história continua girando e nos conduzindo por mares nunca antes navegados. Nos últimos doze meses já aconteceu o impensável: a maior potência mundial elegeu um negro como presidente, renovando nossas esperanças na democracia e no discernimento humano, ao mesmo tempo que nos lançou em uma crise econômica global devastadora e sem precedentes. A eterna dialética entre a pulsão de vida e pulsão de morte identificada por Freud nas profundezas da alma continua ditando os rumos da humanidade.
Diante de tudo que está acontecendo, quais são as perspectivas do setor joalheiro no Brasil? De um modo geral, eu sou otimista. Não é um otimismo irresponsável. Não espero que o mercado, como um todo, cresça e prospere neste ano ou até no próximo. No entanto, tenho a convicção que sairemos mais fortes ao final da turbulência. Hoje, o Brasil é parte da solução e não do problema. Nosso sistema financeiro não entrou na orgia do sub-prime, nossas reservas cambiais são confortáveis, nosso mercado interno é um patrimônio importante, a inflação está sob controle, a situação fiscal do governo é administrável e o país desfruta da normalidade democrática. Acreditem, não é pouco.
E o segmento joalheiro? Sobre o nosso setor, gostaria de refletir um pouco sobre as oportunidades que a crise trás. Toda crise enseja uma oportunidade. Uma oportunidade de amadurecimento, de identificar novos caminhos, de refletir sobre os erros cometidos e, até, uma oportunidade de começar de novo.
Esta crise não é apenas uma crise econômica. Ela trás em seu bojo uma crise de valores. As pessoas estão se perguntando se o padrão de consumo e o modelo de acumulação anterior a crise é sustentável; estão se perguntando o que aconteceu com a capacidade de fiscalização e controle de seus governos e finalmente, estão se perguntando "qual o valor das coisas"?
A reserva de valor é um conceito importante no universo joalheiro. Não só a reserva de valor econômica intrínseca ao ouro e às gemas. Mas a reserva de valor sentimental e emocional. As pesquisas de comportamento e tendência têm identificado que as pessoas querem investir em relacionamentos, querem conviver mais com seus familiares, querem viver mais e acumular menos.
Frente aos demais produtos de luxo, acredito que esta é uma vantagem comparativa importante para a joalheria. Devemos focar nossa comunicação com o mercado, no nosso mais valioso atributo: a reserva de valor. Aquela reserva de valor que marca os momentos mais importantes da nossa vida a formatura, o novo emprego, o noivado, o casamento, o batizado, o aniversário, etc.
Afinal, estes momentos sempre se fortalecem durante as crises...

Ecio Morais, Diretor Executivo do IBGM
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