Quarta-feira, 22 de Maio de 2013
Central de Notícias - Mercado
Dos sete grupos analisados, apenas o de Autopeças e Acessórios apresentou queda
As vendas no pequeno varejo tiveram alta de 15,3% em setembro, ante o mesmo de 2007, segundo apurou a Pesquisa Conjuntural do Pequeno Varejo (PCPV) da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio).
No acumulado do ano, a alta foi de 10%. Os resultados de setembro não apontam nenhum efeito da crise econômica global sobre o desempenho de vendas das pequenas empresas do varejo.
Ao contrário, setembro ainda se mostrou um mês de aceleração, e esse resultado certamente deriva do crescimento do emprego e da renda real.
Na visão da entidade, a expectativa é de que, de fato, ao longo dos próximos meses o varejo - independentemente do porte - acabe sentindo os reflexos de uma crise internacional que se agrava. É possível que os efeitos sejam amortecidos por conta da boa situação financeira média das empresas brasileiras e pela pouca exposição ao risco de crédito dos bancos no país.
O segmento de Lojas de Material de Construção apresentou o maior crescimento de faturamento no mês de setembro, 37,5%, em relação ao mesmo período de 2007. No ano, o desempenho fechou com alta de 33,4%. Este comportamento continua sendo reflexo do aquecimento do setor de construção e da geração de empregos. A expectativa é que as vendas continuem aquecidas.
O segundo melhor desempenho foi o das Lojas de Móveis e Decorações, na esteira do que ocorre com o mercado imobiliário e das facilidades de crédito ainda existentes. O segmento teve alta de 14,8% no seu faturamento real em setembro e no ano o crescimento acumulado é de 9,2%. Nos próximos meses pode ser relevante para o desempenho do setor a percepção dos consumidores em relação ao mercado de crédito. Se houver um sentimento de que as linhas de crédito serão cortadas em breve, no curto prazo alguns consumidores podem se antecipar para garantir a oportunidade e isso pode até alavancar os resultados.
Já as Farmácias e Perfumarias tiveram um bom crescimento e em setembro apresentou um acréscimo de 13,1% no faturamento real do setor em relação a mesmo período de 2007 e no ano acumula alta de 3,5%. Apesar de estarem abaixo da média, o desempenho tem melhorado muito, e provavelmente é reflexo da continuada melhora da renda média e do nível de emprego.
Em setembro, as lojas de Eletroeletrônicos apresentam crescimento de 8,5% em relação ao mesmo período do ano passado e no ano acumulam elevação de 2,8%. Conforme previsto o segmento está no azul, porém justamente quando começava a se mostrar mais vigoroso se depara com alta do dólar (que pode elevar os preços dos produtos) e com uma crise que pode redundar em restrições de crédito, ao menos nos próximos meses.
As Lojas de Vestuário, Tecidos e Calçados, mostraram em setembro, direcionamento positivo, mas inferior à média do ano. Enquanto essas lojas do pequeno varejo vinham crescendo em média 8,8% (média janeiro a setembro de 2008 em comparação ao mesmo período de 2007), nesse mês o setor cresceu 8,2%. O segmento experimenta comparações com uma base mais elevada e também compete pela renda dos consumidores. Mesmo assim é de se esperar ainda que até o final do ano o desempenho se mantenha ao redor de 6% a 8% de crescimento.
O segmento de Alimentos e Bebidas cresceu em setembro, 6,7% em termos reais em relação ao mesmo mês de 2007 e no ano o resultado acumulado é de 0,8%. A tendência de melhorar não deverá ser suficiente para que o segmento apresente resultados exuberantes no acumulado de 2008. A expectativa é que o setor tenha um bom desempenho em 2009, por conta da base não tão forte de comparação que deixará para trás em 2008 e ainda pelo acréscimo de massa de rendimentos que deve perdurar pelo menos no início do próximo ano.
O pior desempenho da PCPV continua a ser o das Lojas de Autopeças e Acessórios, que apresentaram baixa de 6,8% no contraponto a setembro do ano anterior. Em 2008, o setor acumula queda de 16,7%. Essa posição não é propriamente uma novidade para as empresas do segmento que enfrentam problemas de concorrência com grandes redes, a venda de autos novos que reduz a necessidade de manutenção, o aumento da participação de mercado por parte das concessionárias e a entrada de peças chinesas.
NOTA METODOLÓGICA A Pesquisa Conjuntural do Pequeno Varejo (PCPV), da Fecomercio,tem como objetivo medir o desempenho das micro e pequenas empresas do comércio varejista em seus vários ramos de atividade. Os dados da pesquisa auxiliam o empresário varejista na comparação da evolução do seu negócio em relação as demais empresas do setor, servindo como um balizador das suas atividades no curto prazo. O indicador permite ainda identificar as diferenças de desempenho por porte de empresa, contribuindo para a geração de políticas e/ou estratégias específicas de acordo com o porte e setor de atuação das empresas. Para a indústria auxilia no planejamento da produção, vendas e estoques, orientando a tomada de decisões estratégicas. A PCPV é apurada mensalmente pela Fecomercio com dados desde 2004. A amostra engloba cerca de 600 estabelecimentos comerciais localizados no estado de São Paulo.
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