Segunda-feira, 20 de Maio de 2013
Central de Notícias - Comportamento
Em concorrida apresentação realizada no segundo dia da FENINJER, Luís Rasquilha descreveu os consumidores como “esquizofrênicos e mentirosos” e afirmou que eles não compram apenas produtos e, sim, histórias

Luís Rasquilha; Foto: Cauê Moreno
“As coisas mais importantes não são os produtos e, sim, a intangibilidade das coisas”. Essa frase resume o pensamento do consultor Luís Rasquilha, responsável pela palestra “Antecipe-se às tendências de comportamento e consumo de seu cliente”, realizada na 55ª FENINJER. CEO da AYR Consulting Trends (em Portugal), Innovation Worldwide (na França), Rasquilha é professor em universidades e business schools em países da Europa, África e América do Sul e está habituado a criar relatórios e mapas com as principais tendências nos mais diversificados setores da economia mundial.
Em uma apresentação bem humorada e produtiva, Rasquilha pontuou que a melhor maneira de perder um cliente para a concorrência é prestando um mau atendimento e afirmou que as “empresas estão em constante busca por novos clientes e se esquecem de atender àqueles que já tem”.

Luís Rasquilha; Foto: Cauê Moreno
Do ponto do vista produtivo, o consultor lembrou que a o Brasil, a China, e a Índia são, atualmente, os únicos mercados em expansão e que o preço final do produto influencia apenas 9% na decisão de compra. “As pessoas não compram um produto, compram uma história. Nós temos que aprender a ser ‘gestores de sorrisos’, a vender felicidade”, avalia.
Isso é uma tendência, conceito definido por Rasquilha como “mudança de comportamento do consumidor que ajuda a projetar o agora e o futuro”. Ele enumerou as 10 principais tendências de comportamento de consumo até 2022 – que já podem ser observadas. São elas:
1 – Empower me
“O poder está nas mãos do consumidor”, avalia o palestrante, enfatizando que o cliente está, inclusive, “criando” o produto de acordo com seus desejos;
2 – Experiência Econômica
“O dinheiro está mudando de mãos, vindo de outros extratos sociais e de outras experiências”. Nesse sentido, essa nova classe de consumidores quer vivenciar sensações e experiências proporcionadas pela liberdade econômica.
3 – Relaxed & Spiritual
“O consumidor quer relaxar e se conectar com algo mais profundo”. O que você tem a oferecer que ele não pode encontrar em nenhum outro lugar? Essa é a grande questão sobre a qual refletir.
4 – Nômades Urbanos
A facilidade de uso das ferramentas que oferecem conectividade móvel, como os tablets, smartphones e outros, a tendência é trabalhar em e de qualquer lugar. Cada vez mais será desnecessário ir até o escritório para desenvolver a sua função.
5 – Conectividade e Convergência
Novamente, a dependência de smartphones e tablets faz com que os consumidores tenham menos necessidade de ir até a loja efetuar uma compra. “Aquilo que o cliente quer está on line”.
6 – Sustentabilidade
A onda sustentável é um caminho sem volta. É necessário se engajar nessa ideia – e não apenas produzindo itens sustentáveis – para estar em sintonia com o novo consumidor.
7 – Contar uma história
Ao vender um produto, é necessário vender toda a cultura e a história que ele carrega. “No caso das nossas joias, seria interessante resgatar o símbolo das pedras preciosas, às quais são atribuídos poderes de cura, energização, etc. Agregar esse valor tão especial pode incentivar a venda”, lembrou o consultor Fernando Cortés, que estava na plateia.
8 – Raiva, desconfiança, revolução
Rasquilha lembrou movimentos como o “Ocupe Wall Street” e observou que ações como essa têm tudo para ocorrer com mais frequência.
9 – Pessoas Bonitas
A audiência do Facebook – e de muitos outros veículos de comunicação – demonstra a importância que as pessoas dão para a própria aparência, querendo aparecer sempre bonitas.
10 – Ligação com a Cidade
Mesmo lugares caóticos, como a cidade de São Paulo, despertam o sentimento de amor profundo de seus cidadãos. Segundo Rasquilha, esse apego é uma tendência que veio para ficar.

Fernando Cortés, Hécliton Santini e Luís Rasquilha
“O futuro está acontecendo hoje na sua vida. Como você vai aproveitar isso no seu negócio?”, questionou aos presentes. Antes de encerrar a apresentação, Rasquilha ainda incitou os varejistas presentes a inserirem mudanças pontuais em suas vitrines – sempre muito iguais e monótonas, e incrementá-las. E finalizou com o seguinte comentário sobre o processo de produção: “a produção de qualquer produto, e das joias em especial, deve analisar o que o consumidor já tem e com o que ele não está satisfeito e, a partir daí, pensar no que ele quer”.
“Temos que aproveitar a indulgência do consumidor, que vê um produto e pensa ‘eu mereço’”, finaliza.
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