Domingo, 19 de Maio de 2013
Central de Notícias - Design

Lincoln Seragini recebe os cumprimentos de Hécliton Santini; foto: Cauê Moreno
O que é a Economia Criativa? Com essa questão o consultor de marcas Lincoln Seragini iniciou a sua apresentação na 55ª FENINJER. Profissional escalado para iniciar o ciclo de palestras do evento, Seragini contou estar em sua 3ª participação na feira – a primeira foi em 1995, ano em que o IBGM anunciou, em parceria com a então ministra Dorotéia Werneck, o projeto de promoção do design nacional. Nesse período, ele afirma que o design brasileiro “deixou de ser cópia”, e que o “brasileiro é criativo mas não é organizado e disciplinado”.
Especialista na construção de marcas e professor de Design, Lincoln incitou os presentes ao afirmar que o Brasil “tem ânsia por exportar”, mas que “ainda não tem uma estratégia como país”. O discurso, que prendeu a atenção dos presentes, explicou o que é a Economia Criativa, onde, como e porquê ela surgiu e a tendência de servir como substituta à desindustrialização.
Economia Criativa
A Economia Criativa reúne três fatores: a criação de riqueza a partir do talento individual que gera valor; o direito autoral e a patente (o que gera capital intelectual e o registro das marcas). “É a riqueza que vem do indivíduo”, acredita.

Esse conceito surgiu há 16 anos na Austrália e há 10 anos foi adotado pela Inglaterra como alternativa à desindustrialização que o país enfrentava. “O mundo não consegue competir com a indústria chinesa. Mas, enquanto a produção diminui, o consumo aumenta, gerando a necessidade de importação de bens”. Essa equação, desfavorável para qualquer país, pode ser solucionada com a implementação da Economia Criativa.
“O design é o maior denominador comum da indústria criativa, estando presente em todos os setores. É por meio do design que os artistas expressam e materializam suas ideias”, explicou Seragini. Para ele, a indústria de joias é a que menos será afetada pela ‘invasão chinesa’, pois nós fazemos a “diferença na criação”. Mas ele ressalta que é necessário criar grifes – definidas por ele como “marcas de luxo”, pois essa é uma maneira de agregar valor à produção nacional. “A joalheria é a área onde a criatividade é mais aplicada, pois trabalha com o encantamento e com o valor simbólico das peças, além de não ser funcional. O consumidor de joia dá muita importância para o lugar onde compra”, disse ele.
Para Seragini o setor joalheiro no Brasil também peca na apresentação da sua produção: “A fraqueza do varejo de joias é o lugar comum. Todas as vitrines são iguais, os uniformes, o atendimento”, alertou o palestrante, pedindo aos presentes que sejam mais criativos e inovadores na maneira de lidar com o produto.
Indústria Criativa
“Para crescer, a indústria precisa ser mais criativa e produtiva, potencializando a capacidade criativa dos colaboradores. Ao invés de mão de obra, é preciso investir em cérebro de obra, onde qualquer trabalhador tem capacidade de resolver os problemas”, acredita Seragini. Ele explica que “a economia da cultura nasceu para incentivar os artistas mas evoluiu e se transformou na indústria criativa, aquela que possibilita a realização de negócios e cria um valor simbólico para o produto”. Isso quer dizer que aquilo que se produz precisa emocionar, até porque o consumidor, principalmente o de joias, tem um ritual de compra.

Nesse sentido, a cadeia produtiva nacional precisa criar uma experiência de compra e envolver o consumidor, sem deixar de lado o fortalecimento da marca e o design individual: “o design será o rei [da produção] porque a tecnologia já não é um diferencial – o seu concorrente também pode adquiri-la”.
Encerrando a apresentação, Seragini falou sobre Design Thinking e convidou os presentes a aguçarem a observação do próprio negócio, que pode “melhorar a partir do pensamento do design. O maior valor da criação está antes da criação.”