Quinta-feira, 23 de Fevereiro de 2012
Central de Notícias - Marketing e vendas
Quando falamos em exportações muitas vezes o que vem à mente são vendas para o Hemisfério Norte. Porém, isso é, cada vez mais, coisa do passado. A situação financeira de diversos países do hemisfério norte é de contenção do consumo, poupar para assegurar um futuro que não tem previsão de bons tempos para eles. Isso começa a inverter o cenário internacional de locais com mais atratividade para se vender. O Brasil aparece no topo da lista ao lado de economias viçosas como a África do Sul, Índia e a China.
Primeira dica? Apostar no mercado interno e fortalecer sua conexão com seus clientes, fortificar sua marca e se fazer conhecido o máximo possível. Uma boa opção a se investir – para não perder – é mergulhar no e-commerce. Recentes pesquisas feitas por essa autora revelam que mulheres de todo o Brasil estão prontas para adquirirem joias pela internet. Segunda dica? Continuar exportando, porém, para outros mercados, sobretudo para aqueles além de nossos vizinhos mais próximos.
Para os setores do luxo – e isso inclui a joalheria – pode parecer um momento de se repensar que tipos de joias fazer para vender aos velhos mercados almejados do Velho Mundo ou dos Estados Unidos. Neste caso, há dois tipos de joias a produzir: as que não ostentam (o chamado ‘luxo frugal’) e as ostentam de maneira superlativa (a qual podemos nomear de ‘luxo à la Marie Antoinette’). De qualquer maneira, talvez seja mais atrativo nos voltarmos para outros mercados, em especial o Hemisfério Sul. O HS pode ser divido em três grandes áreas de comércio promissor: América Latina (destaque para zona caribenha, planaltos Andinos, e região dos Pampas), África Subsaariana (com especial destaque para África do Sul) e a Oceania. A América Latina é tão próxima e tão longe... Visitamos, gastamos, mas será que conhecemos o gosto de quem vive lá? Conhecer o gosto é o primeiro passo para vendermos bem. É necessário identificar quais países receberam melhor o tipo de joalheria que você pratica em sua marca.
Ultimo ponto a se destacar: os mercados africanos e da Oceania também são campos de ação muito possíveis. Isto porque o lifestyle brasileiro fascina estas duas regiões do planeta. Na África há um ditado que diz que para cada problema africano há uma solução brasileira... Já dá para perceber como somos bem vistos, não é? E na Austrália, em cada 10 pessoas, 8 usam sandálias ‘Havaianas’ e as outras duas compraram um similar que as imita. Talvez a praia, o tempero ‘relax’, problemáticas econômicas e sazonais similares, fluxo de brasileiros fazendo turismo e negócios nessas regiões, enfim, os motivos podem ser muitos, mas o certo é que há uma conexão cultural – que forma o gosto – que nos aproxima cada vez mais. Portanto, apostar em exportações para novos lugares que são promissores ou similares ao Brasil em lifestyle pode ser o melhor jeito de burlar a crise que se abate nos tradicionais mercados importadores.

Profa. Dra. Patricia Sant’Anna
Doutora em História da Arte, Mestre em Antropologia, Bacharel em Ciências Sociais. É diretora de pesquisa da Tendere - Pesquisa e Consultoria em Design, Moda e Beleza (www.tendere.com.br); líder do Grupo de Estudos de Arte, Design e Moda da Unicamp (www.ifch.unicamp.br/artedesignmoda) e leciona na pós-graduação de Negócios da Moda (SENAC SP) e Criação de Imagem e Styling de Moda (SENAC SP) e na graduação de Design de Moda da ESAMC (Campinas).
Coluna Moda & Design
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